sábado, 9 de novembro de 2013

Trânsito: a vida em primeiro lugar




Artigo sobre a violência no trânsito.


A violência no trânsito é a resposta ao grande individualismo em que se vive. Todos acreditam ter direito sempre: se está pedestre, crê ter direito a usar a via para fazer as caminhadas; se está condutor(a), acha que pode desobedecer o semáforo recém-fechado para chegar ao local desejado o mais depressa possível. Precisamos estabelecer que a vida tem que ser colocada sempre em primeiro lugar.

Ficamos muito felizes em saber que hoje o trânsito é também uma questão de saúde pública. Isso foi um grande ganho. Hoje temos mais pessoas inseridas neste trabalho de educação para o trânsito seguro.

Temos uma visão de que o jovem tem sede de viver. Mas é uma sede de tudo. Ele quer tudo, ele pode tudo, ele tem que viver tudo agora e não pode perder tempo para nada. E, infelizmente, os índices de mortalidade no trânsito são maiores entre os jovens dos 19 aos 29 anos de idade. O que estaria faltando para os jovens, para que eles pensem, coloquem mais amor à própria vida, pensem mais no seu próprio futuro?

Quase toda a educação, hoje, passa pelo professor. Aquela educação que era recebida no lar está transferida quase toda para a escola. Como pais e mães vão cobrar a responsabilidade no trânsito, se dão o carro para um filho menor de idade para sair no final de semana ou até quando deixam que ele desloque o carro dentro do pátio, dê uma volta na quadra, e essas coisas todas? Esta é uma responsabilidade grande que se concede a ele. Depois, como freá-lo? Como proibir esta direção?

Outra coisa, quando se está dirigindo, e o filho fica sentado atrás, ou até mesmo na frente, e se diz a ele: “Quando enxergar a polícia, você deve se abaixar”. Que exemplo está sendo dado? Ou quando o celular toca e a pessoa atende ao volante... Existem vários maus exemplos que os adultos acabam dando para as crianças, para os jovens e isso eles levam para o volante futuramente.

A “cultura” do carro

Ainda há a ideia de que o jovem se sente com mais poder, com mais potência atrás de um volante. Ele consegue as melhores meninas ou a menina que tanto almeja. E tem também a questão do racha, disputas entre carros que são reponsáveis por acidentes fatais entre os jovens: o culto ao poder da velocidade. A própria mídia propaga esta ideia de poder através do carro: a pessoa vive para o carro. Então, esses conceitos acabam sendo passados para o jovem e ele associa isto a uma ideia de liberdade. E é a partir destes sentimentos que ele se joga na rua.

Muitas pessoas preocupam-se em adquirir um automóvel, antes de adquirir sua casa própria. E hoje as ofertas são incríveis: há muito favorecimento para que as pessoas comprem um carro. Não temos nem vias que comportem o número de automóveis que as montadoras estão produzindo. O transporte coletivo é precário, é de má qualidade, mas muita gente nem sabe disto porque vive a “cultura do automóvel”.

Por que tivemos que criar uma lei de “tolerância zero” (Lei Seca 11.705) para controlar a questão da mortandade? Toda vez que falamos “digir e beber são duas coisas que não combinam”, as pessoas não acreditam. Tem quem afirme que quando bebe dirige melhor ainda. Mas isso não é verdadeiro. Seria importante manter esta lei ativa, pois com ela a fiscalização tem o amparo legal e fará com que o trabalho de fiscalização no trânsito realmente tenha efeito.

O que precisamos, de fato, é que os donos dos estabelecimentos, de bares e restaurantes, entendam que esta lei está protegendo a vida. Uma iniciativa interessante, divulgada pelo Ministério dos Transportes, e que não foi levada a sério, é o amigo da vez: a pessoa que não bebeu se dispõe a levar os amigos em segurança de volta pra casa.

Quem faz parte do Movimento Gaúcho pelo Trânsito Seguro é comprometido com essa causa de conscientizar a sociedade para que todos se desloquem com segurança. É importante que as pessoas tenham muita clareza do motivo por que a criança tem que ficar no banco de trás, numa cadeirinha especial; por que não falar ao celular enquanto dirige; a importância do encosto de cabeça no banco traseiro; a importância dos equipamentos de segurança; por que não jogar lixo pela janela do carro etc.